quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Fiscalização flagra trabalho escravo em confecções da marca Zara Empresa diz que vai regularizar a situação


Redação CORREIO
Trabalhadores bolivianos foram encontrados trabalhando em condições análogas à escravidão em três confecções de São Paulo que são fornecedoras da marca de roupas Zara por fiscais do Ministério do Trabalho.
Segundo a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo, três fornecedores foram alvos da investigação, dois na capital e um em Americana, no interior paulista.
Na capital, as duas oficinas eram de bolivianos, mas segundo o SRTE eram de responsabilidade da Zara. Ao todo, as duas tinham 15 funcionários. As duas oficinas foram fechadas pelo SRTE.  Os trabalhadores receberam indenização conjunta de R$ 140 mil.
Uma adolescente de 14 anos chegou a ser encontrada trabalhando em uma das oficinas - ela contou que só podia sair do local, onde também morava, com autorização dos chefes. Muitos dos bolivianos tinham parte do dinheiro descontado para pagar a dívida dos custos da viagem até o Brasil. As contratações incluiam ilegalidades como trabalho infantil, condições degradantes com falta de higiene e segurança, jornadas exaustivas e cerceamento da liberdade. 
Nos locais, fiscais apreenderam dois cadernos que continham anotações referentes às dívidas das passagens dos trabalhadores, além de "vales", que faziam com que os funcionários aumentassem ainda mais o débito e trabalhassem só para pagar essa dívida. Os cadernos também mostram alguns salários: de R$ 274 a R$ 460, abaixo do salário mínimo brasileiro, que é de R$ 545.
"A conclusão é que o único responsável por essas duas oficinas era a Zara, pois esses trabalhadores só produziam peças destinadas à empresa, seguindo os padrões dela", disse à Folha Online auditor Luís Alexandre de Faria, do Ministério do Trabalho.
As duas oficinas receberam 48 autuações por infrações que incluiam excesso de jornada - que chegava a 16h por dia -, falta de pagamento de férias e falta de descanso semanal.
Americana
Em Americana, o caso foi aberto em maio. Cerca de 50 bolivianos foram encontrados no local em condições precárias de moradia e sem higiene. A oficina era subcontratada pela Zara, mas não trabalhava exclusivamente para a empresa.
Todos os casos foram encaminhados para o Ministério Público.
Irregularidades
A Inditex, empresa espanhola responsável pela Zara, reconheceu em comunicado as irregularidades dos fornecedores. Segundo a empresa, ela não tinha conhecimento dos fatos e exigiu que o fornecedor que terceirizou o serviço regularizasse a situação "imediatamente".
A Inditex informou ainda que vai reforçar a fiscalização do sistema de produção do fornecedor e das demais confecções que são suas parceiras no país.

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